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Aniversário: 15 de janeiro.
Fundação: 15 de janeiro de 1833.
Gentílico: Iguaçuano.
Prefeito: Lindberg Farias - PT (2009 - 2012).
Feriados Municipais: 15 de janeiro - aniversário da cidade / 13 de junho - dia do padroeiro, Santo Antônio.
Área: 523,888 km²
População: 865.089 habitantes (IBGE/2009).
Distância até a capital: 28 km.
Municípios limítrofes: Duque de Caxias, Belford Roxo, Mesquita, Rio de Janeiro, Seropédica, Queimados, Japeri, Miguel Pereira.
Brasão
Bandeira
 
Primeiras Ocupações
Antes dos portugueses chegarem ao Rio de Janeiro (em 1503), os índios Jacutingas já habitavam a margem ocidental do rio Iguaçu.

Em 1575, o então governador da capitania do Rio de Janeir, Antônio Salem, reuniu um exército português apoiado por uma tropa de índios catequizados, com o objetivo de exterminar o domínio franco-tamoio que já durava 20 anos no litoral norte da capitania. Temendo perder seus territórios, os índios tamoios, ainda aliados aos franceses, foram praticamente dizimados por conta da insurreição, denominada Guerra de Cabo Frio . As tropas vencedoras exterminaram aproximadamente 500 indígenas, escravizando outros 1500. Foram condenados à forca dois franceses, um inglês e o pajé tupinambá. Não obstante, as tropas adentraram o sertão incendiando aldeias e matando outros milhares de tamoios. A Guerra de Cabo Frio resultou na completa expulsão dos franceses da região.

No entanto, outros piratas europeus, principalmente ingleses e holandeses continuaram a piratear o pau-brasil, causando mortes desumanas e que se provaram inúteis, uma vez que a ausência de colonização no litoral fluminense continuou a proporcionar lucro aos corsários europeus. Não houve interesse da metrópole em colonizar a região do Cabo Frio após este massacre, entretanto os colonizadores decidiram povoar o Recôncavo Fluminense. Começaram a se fixar às margens dos grandes rios, em especial os rios Iguaçu, Meriti, Sarapuí, Saracuruna, Jaguaré, Pilar e os vales dos rios Marapicu, Jacutinga, Mantiqueira e Inhomirim.

Uma vez que a ocupação da bacia dos rios Iguaçu, Sarapuí e Meriti foi efetivada, o que ocorreu a partir do final do século XVI, as tradicionais trilhas indígenas viraram estradas. Uma delas, a longa trilha dos indígenas jacutingas, foi transformada na Estrada Geral, que ligava a Freguesia de Nossa Senhora da Conceição de Marapicu (atual Marapicu) à Freguesia de Santo Antônio da Aldeia dos Jacutingas (atual Belford Roxo). O leito da Estrada Real hoje é ocupado pela RJ-105. A velha ponte sobre o Sarapuí era o ponto de junção entre a Estrada Geral e a Estrada Real (atual Avenida Automóvel Clube, que muda de nome para Martin Luther King Jr. a partir de certo ponto). A Estrada Real seguia em direção à freguesia da Candelária passando antes pelo território da Freguesia de São João do Orago do Rio Merity, do porto da Pavuna, de Inhaúma e da Freguesia de Nossa Senhora da Apresentação do Irajá.

Estes caminhos constituíram, por longo tempo, a melhor opção terrestre para adentrar o recôncavo fluminense, já que o acesso era difícil devido à grande quantidade de pântanos e de rios caudalosos e de considerável largura que eram obstáculos naturais. Para estabelecer a rota da Estrada Real, foram considerados os melhores pontos para a transposição dos rios Meriti e Sarapuí, observando locais onde estes rios formavam vaus .

A colonização da região exigia rotas para o escoamento da produção dos engenhos. Inicialmente, isso foi possível graças às vias fluviais, quando os rios serviam de estradas, uma vez que as trilhas indígenas (e as estradas derivadas delas) eram rústicas e os rios eram o modo mais fácil de adentrar no recôncavo fluminense para a sua colonização.

Freguesia de Nossa Senhora da Piedade do Iguaçu

Logo que passou a ser explorado, o ouro das Minas Gerais era levado por terra até o porto de Paraty e daí, por via marítima, até a cidade do Rio de Janeiro, de onde seguia para Portugal. Como a rota do litoral entre Paraty e o Rio de Janeiro era infestada por corsários e piratas, foi necessário a abertura de caminhos terrestres mais curtos e seguros para trazer o ouro das Minas Gerais até o Rio de Janeiro.

No século XVII Garcia Rodrigues Paes ligou Paraíba do Sul ao porto do Pilar do Iguaçu para o escoamento do ouro trazido de Minas Gerais. Essa ligação foi chamada Caminho do Pilar ou, mais comumente, Caminho Novo das Minas, pois substituiu o antigo Caminho de Paraty. Do rio Pilar, podia-se navegar até o rio Iguaçu, que tem sua foz no interior da baía de Guanabara, área com fortificações e mais protegida dos ataques de piratas e corsários.

Posteriormente foram também abertos o Caminho da Terra Firme e a Variante do Proença, visando facilitar o escoamento do ouro, já que o trânsito no Caminho do Pilar tinha diversos problemas. Com a redução de seu uso, o Caminho Novo logo passou a ser chamado de Caminho Velho.

O arraial de Nossa Senhora da Piedade do Iguaçu (à época grafava-se Iguassú) nasceu ao redor de um porto fluvial nas margens do rio Iguaçu. Em 1699, a localidade já tinha uma capela curada. Na época do Marquês do Pombal, em 1750, foi elevada à categoria de freguesia. O Porto de Piedade de Iguaçu prosperou em razão da intensa movimentação dos tropeiros pelo Caminho Novo.

 
Vila de Iguaçu

Até o início do século XIX, Piedade do Iguaçu tornou-se o principal povoado da região, mas era dependente administrativa e politicamente da cidade do Rio de Janeiro, embora já demonstrasse um bom desenvolvimento econômico, além do aumento da população e do crescimento do comércio.

Os povoados da região concentravam-se principalmente às margens dos rios, mas também havia alguns nos entroncamentos das estradas. Piedade do Iguaçu cresceu ainda mais com a abertura da Estrada Real do Comércio , primeira via aberta no Brasil para o escoamento do café do interior do país.

Graças à Estrada Real do Comércio e às ótimas condições para a criação de um entreposto comercial, foi necessária a criação de um município. Em 15 de janeiro de 1833 , portanto, foi criada a vila de Iguaçu a partir de decreto assinado pelo regente Nicolau Pereira de Campos Vergueiro , em nome do Imperador Dom Pedro II . Em 29 de julho do mesmo ano, foi instalada a Câmara dos Vereadores, com sete representantes.

O novo município foi formado pelas freguesias de Nossa Senhora da Piedade do Iguaçu (definida como capital do município), Santo Antônio de Jacutinga, Nossa Senhora do Pilar, São João de Meriti e Nossa Senhora da Conceição do Marapicu.

 

Inicialmente, a Freguesia de Nossa Senhora da Piedade do Inhomirim também faria parte, contudo os moradores desse distrito não aceitaram a incorporação, especialmente devido à distância.

A Assembléia Legislativa da província do Rio de Janeiro extinguiu o município de Iguaçu em 13 de abril de 1835 (Lei nº 14), mas o restaurou em 10 de dezembro de 1836 (Lei nº 57), já sem a freguesia de Inhomirim. Em 1846 o município ainda perdeu mais uma parte de seu território ao ser criada a vila da Estrela, que assumiu a freguesia do Pilar.

 
1 - Morro da Cadeia 10 - Largo dos Ferreiros 19 - Morro Demetriano
2 - Caminho da Serra 11 - Armazém Soares e Melo 20 - Brejo Cambambé
3 - Porto do Pinto 12 - Porto de Iguaçu 21 - Marambaia
4 - Porto do Viana 13 - Morro do Pessoa 22 - Caminho dos Velhacos
5 - Porto Soares e Mello 14 - Morro do Marinho 23 - Caminho para Tinguá
6 - Porto dos Passageiros 15 - Largo do Vítor 24 - Estrada do Comércio
7 - Porto dos Saveiros 16 - Largo Lava-pés 25 - Estrada do Cambambé
8 - Câmara (Paço) Municipal 17 - Matriz de N.S. da Piedade 26 - Córrego Mangangá
9 - Cadeia de Iguaçu 18 - Morro M. Lima 27 - Estrada da Olaria
 

A área total da vila de Iguaçu era, à época de sua criação, de 1.305,47 km². Na sede, havia um quartel com uma cadeia anexa, a Câmara de Vereadores, o Fórum, casas comerciais e cerca de cem casas. Nos portos eram embarcadas mercadorias em direção ao Rio de Janeiro. A população em 1879 era estimada em 21 703 pessoas, sendo 7.622 escravos.

Apesar do grande progresso em seus primeiros anos de independência administrativa (embora até 1919 as funções de Executivo fossem de responsabilidade do Intendente, representado pelo presidente da Câmara), a vila de Iguaçu entrou em decadência na segunda metade do século XIX. Alguns fatores podem ser citados, como a criação das estradas de ferro, a construção de uma ponte sobre o rio Iguaçu e epidemias de cólera, varíola e malária.

A abolição da escravatura também ajudou no declínio da economia do município, que se sustentava na exploração do negro na agricultura da cana-de-açúcar. Havia canaviais por todo o município, além de plantações de milho, feijão, mandioca, café e arroz.

 
Maxambomba

Maxambomba é o nome de um mecanismo de tração, operado sobre um ou dois trilhos, utilizado na época do Brasil colonial pelos senhores de engenho para assentar uma carga com segurança sobre a embarcação destinada para fazer o transporte fluvial da produção do Engenho. O mecanismo de grua permitia locomover para baixar a carga sobre a canoa chalana, observando o centro de gravidade da embarcação para a distribuição uniforme do peso da carga, evitando que o carregamento gerasse oscilações que pudessem acidentalmente lançar a carga ao rio durante o carregamento.

Assim vemos que um mecanismo de grua serviu para nomear o rio que atravessava as terras do Engenho Maxambomba. Este rio Maxambomba era chamado de Apeterei, pelos índios Jacutingas (antigos donos da terra). Apeterei , em tupi-guarani significa "Rio do meio", e está canalizado sob os quarteirões situados entre as ruas Luis Guimarães / Nilo Peçanha e a rua Otávio Tarquínio. A Serra de Madureira (serra do Engenho do Madureira) também foi denominada de Serra de Maxambomba (serra do Engenho Maxambomba). O Rio Maxambomba, nasce na Serra de Maxambomba e atravessa as terras do antigo Engenho Maxambomba e era designado como Apeterei (Rio do Meio), porque localiza-se entre dois Rios maiores: Rio das Botaes (Riachão) e o Rio Caxoeira (atual Rio da Prata).

Uma canoa de fundo chato, conhecida como chalana ou chalupa, era o transporte mais apropriado para navegar o talvegue raso do curso d´água (um afluente de rio) utilizado pelo engenho como via fluvial para transporte.

A produção do Engenho Maxambomba escoava através de um portinho existente no rio da Prata, afluente do rio Sarapuí. O carregamento também seguia através do rio Maxambomba, principalmente quando o rio da Prata estava obstruído por árvores caídas ou desmoronamentos das margens o que provocava assoreamento acidental.

A produção de cana-de-açúcar, seguia diretriz de Portugal para o Brasil Colônia. As raízes fracas e finas da cana provocam a erosão dos terrenos desmatados e o conseqüente assoreamento dos rios. Porque, ao ser desmatada a terra e removidas as árvores com raízes fortes que seguravam a terra, substituídas pelo plantio da cana, com raízes fracas e finas que não seguravam a terra, que consequentemente era levada pelas chuvas torrenciais e depositadas no fundo dos rios, sedimentando-os e diminuindo-lhes a profundidade.

Através do portinho existente no rio Maxambomba, a produção escoava até o Porto dos Saveiros (em Tinguá) ou via rio da prata até o Porto do rio Sarapuí, onde era reembarcada em saveiros ou faluas, embarcações maiores, com destino ao Cais dos Mineiros, no Rio de Janeiro (que situava-se ao lado do Arsenal de Marinha, na rua Primeiro de Março).

Para carregar as chalanas o Engenho contava com dois portinhos fluviais, um deles localizava-se no atual Bairro da Vila Nova (instalado no rio da Prata), o outro existia à montante do rio Maxambomba (atual centro de Nova Iguaçu). Na periferia do Engenho Maxambomba, ao redor do portinho do rio Maxambomba, gradativamente foi-se assentando um pequeno comércio, seguido por um pequeno núcleo populacional que foi prosperando até se transformar no pequeno arraial de Maxambomba.

Assim na periferia das terras do engenho Maxambomba nasceu o Arraial Maxambomba. Desenvolveu-se e prosperou ao redor do portinho que existiu próximo a atual Rua Floresta Miranda. O transporte fluvial e maritimo foi utilizado até 1728 quando o Caminho do Tinguá , foi concluído pelo Mestre de Campo Estêvão Pinto. Este caminho que ficou conhecido como Caminho de Terra Firme , fugia da planície inundada e pantanosa para transpassar a muralha da Serra do Mar a caminho das “Minas Gerais”. Este caminho passava no antigo engenho Maxambomba de propriedade de Martim Corrêa Vasques. O Caminho de Terra Firme foi o único que deixou vestígios, pois, sobre parte de seu percurso foram assentados, em 1858, os trilhos da da Ferrovia D. Pedro II , (atual Central do Brasil).

O engenho de Maxambomba (localização exata de onde situava-se o engenho: latitude 22°45'36.69"S longitude 43°25'59.90"W) integrava a jurisdição (distrito) da Freguesia de Santo Antônio de Jacutinga. No século XVII o engenho Maxambomba surgiu em razão do desmembramento do engenho de Santo Antônio de Jacutinga, localizado nas terras da antiga aldeia dos índios Jacutingas. A sesmaria do Engenho Santo Antônio foi concedida pelo Governador Cristóvão de Barros, para um de seus capitães, de nome Belchior de Azeredo , homem de confiança de Cristóvão de Barros que era o quarto governador do Rio de Janeiro. O Engenho ficou séculos nas mãos da família Azeredo, passando para José de Azeredo e seu filho Antônio de Azeredo (descendentes de Belchior), até ser desmembrado e extinto no século XIX, com as terras integradas ao Engenho do Brejo (Belford Roxo) e Engenho Maxambomba (Nova Iguaçu).

No século XVII o Engenho Maxambomba era propriedade de Salvador Correia de Sá e Benevides, neto paterno de Salvador Correia de Sá (o Velho), que era o maior latifundiário do Rio de Janeiro, dono de vários engenhos e de mais de setecentos escravos, e que foi Governador do Rio de Janeiro por três mandatos intercalados. Ele morava na rua Direita, atual Primeiro de Março. Na primeira metade do século XVIII pertenceu a Martim Corrêa Vasques , na segunda metade do mesmo século o Engenho Maxambomba passa para o Padre José Vasques de Soiza , cujo irmão inteiro era o capitão Manuel Correia Vasques, proprietário do Engenho Caxoeira (atual município de Mesquita). Ambos eram descendentes diretos de Salvador Correia de Sá e Benevides, de Mem de Sá e de Estácio de Sá.

A Sede colonial do Engenho Maxambomba situava-se no cume da alta colina cuja encosta setentrional localiza-se, atualmente, o Bairro Califórnia e cuja encosta meridional está assentado o Bairro da Vila Nova. A sede do Engenho Maxambomba estava 1,65 km (1/4 de legoa) de distância da Matriz da Freguesia de Santo Antônio de Jacutinga (atual Igreja da Prata). A localização é dada com exatidão por Monsenhor Pizarro, no relatório das suas visitas pastorais no ano de 1794. Ele descreve com clareza solar a direção do Engenho (poente) e a equidistância, em léguas, levando em consideração, como ponto de partida, a atual Igreja de Santo Antônio da Prata, que em 1794 era a Matriz de Santo Antônio de Jacutinga (Localização da atual Igreja de Santo Antônio da Prata = Latitude: 22°45'38.68"S e Longitude: 43°24'56.99"W).

Escravos fugitivos do Engenho Jacutinga, Engenho do Brejo e do Engenho Maxambomba, utilizavam o leito do rio da Prata para chegar às encostas da Serra Maxambomba (atual Serra do Madureira), onde no atual bairro do K 11 fundaram o quilombo de Cauanza. K 11 é uma corruptela de Cauanza, o nome africano do Quilombo.

Os pequenos rios, vias fluviais que serviam os Engenhos foram perdendo sua capacidade de manter talvegue apropriado para serventia e em razão de assoreamentos, obstruções, contínuo desmatamento das margens, gradativamente foram substituídos por estradas ou carreteiras (estradas para carroças). Também em razão do desenvolvimento.

A Estrada Geral é uma das mais antiga da região, caminho utilizado bem antes do período colonial, já era uma antiguíssima trilha dos índios Jacutingas (um Apecatu , que em tupi-guarani significa: "Bom Caminho"). A Estrada Geral ligava a Freguesia de Nossa Senhora da Conceição de Mariapicu à Freguesia de Santo Antônio da Aldeia dos Jacutingas (atual centro de Belford Roxo); Hoje a Estrada Geral está divida em duas: Estrada Dr. Plínio Casado e Estrada Abílio Augusto de Tavora (antiga Estrada do Engenho do Madureira) que em 1930 foi reformada.

A carreteira mais extensa construída pelo colonizador na Freguesia de Santo Antônio de Jacutinga, em linha quase reta, iniciava no atual centro de Nova Iguaçu, na rua Floresta Miranda, seguindo pela Rua Comendador Francisco Soares, rua do encanamento, atravessando a atual Rodovia Presidente Dutra (que não existia na época), seguindo por Heliópolis (rua Maria/rua Heliópolis), passando pelo Bairro Baby até chegar ao Porto dos Saveiros (Tinguá). Outras carreteiras importantes foram melhoradas quando as vias fluviais deixaram de ser utilizadas, como é o caso da atual rua Barros Júnior, se conecta com a Estrada do Iguaçu (atravessando a via Presidente Dutra), estas carreteiras eram a serventia para transporte da produção do Engenho do Madureira, Engenho da Posse, Fazenda Caioaba e Fazenda Filgueiras (atual bairro Filgueiras, Nova Iguaçu) o escoamento destinava as produções dos Engenhos para embarque nos Portos fluviais de Piedade de Iguaçu.

A importância que o rio Iguaçu tinha para a comunicação entre a Vila e o Rio de Janeiro diminuiu com a implantação das estradas de ferro, que eram um meio de transporte mais rápido, barato e seguro.

À época do segundo Império a população da Vila Maxambomba assistiu entusiasmada a chegada das locomotivas à vapor, popularmente conhecidas por "Maria-fumaça". Em 29 de março de 1858 a Estrada de Ferro Dom Pedro II (atual Estrada de Ferro Central do Brasil) foi inaugurada pelo próprio Imperador Pedro II e ligou o Campo da Aclamação (no Rio de Janeiro) ao Pouso dos Queimados (atual Município de Queimados) e, no ano seguinte chegou a Belém (atual Japer). Na parada ferroviária de Maxambomba a produção da Fazenda Maxambomba passou a ser embarcada para a côrte. A implantação da estrada de ferro aumentou o comércio estabelecido na região. A atividade no Arraial prosperou tanto que isso fez com que, em 1862, a Matriz da Freguesia de Santo Antônio de Jacutinga fosse transferida para perto da estação.

Outra estrada de ferro importante foi a Rio do Ouro, que começava no bairro do Caju, no Rio de Janeiro) e seguia até a localidade de Rio d'Ouro, em Nova Iguaçu. Sua construção foi iniciada em agosto de 1876 e concluída em 1883.

Em 1886, foi adaptada para o transporte de cargas e passageiros, e contava com três ramais em seus 53 quilômetros: Xerém, Tinguá e São Pedro (Jaceruba). Nos anos 60, contudo, a estrada de ferro foi, aos poucos, desativada. Segundo os responsáveis por sua manutenção, ela não dava lucro.

A ponte construída sobre o rio Iguaçu em 1886 na localidade de São Bento acabou de vez com a importância do rio para o desenvolvimento da região, pois impediu o tráfego dos saveiros e faluas. A chegada da ferrovia na região, a proclamação da lei Áurea no dia 13 de maio de 1888 que causou ruína a considerável parte da aristocracia rural, as epidemias de cólera, varíola e malária, fizeram com que a população da Vila de Iguaçu abandonasse o local, transferindo-se para o Arraial de Maxambomba.

Devido, especialmente, a esses fatores, em 1º de maio de 1891, através de decreto assinado por Francisco Portela, a sede do município foi transferida definitivamente para Maxambomba, que foi elevada à categoria de Vila. A antiga Vila de Iguaçu passou a ser conhecida por Iguaçu Velha.

No limiar da década de 1950, época da inauguração da Rodovia Presidente Dutra, as terras remanescentes do antigo Engenho colonial Maxambomba, foram desapropriadas pelo presidente Getúlio Vargas, que urbanizou a antiga Fazenda Maxambomba, transformando-a em Bairro modelo, com o objetivo de oferecer moradias à classe dos marítimos, uma categoria de servidores do Estado; transformando a Fazenda Maxambomba no Bairro Califórnia.

 
Nova Iguaçu

A Vila de Maxambomba recebeu oficialmente o nome de Nova Iguassú através da Lei nº 1.331, de 9 de novembro de 1916, de autoria do deputado estadual Manuel Reis. A grafia do nome da cidade só mudou para Nova Iguaçu tempos depois, após reformas ortográficas da língua portuguesa.

Após o declínio da agricultura da cana-de-açúcar, a cultura da laranja passou a ser a mais importante para o município. Vinda de São Gonçalo, a laranja encontrou solo ideal em Nova Iguaçu. Apenas para citar um exemplo, todo o bairro da Posse era, antigamente, uma grande fazenda produtora de laranjas.

Praticamente toda a produção de laranjas era exportada, trazendo para o município um grande desenvolvimento econômico. A exportação começou a ocorrer no ano de 1891, juntamente com o desmatamento (lenha e carvão, madeiras de lei).

O auge da citricultura em Nova Iguaçu foi dos anos 30 a 1956. De 1930 a 1940, a cidade de Nova Iguaçu era chamada de “Cidade Perfume”, porque as laranjeiras, em floração, perfumavam todo o roteiro das ferrovias.

A construção de casas de beneficiamento e embalagem da produção na segunda metade do século XX trouxe novo fôlego para a exportação. Porém, durante a Segunda Guerra Mundial, houve interrupção do transporte marítimo, impedindo a exportação das laranjas. Com isso, as áreas dos antigos laranjais começaram a ser loteadas e novos bairros surgiram.

A partir da “crise da laranja”, Nova Iguaçu passou a se concentrar num processo de industrialização, beneficiado pela facilidade de escoamento da produção graças, especialmente, às rodovias que cortam o município, entre elas a BR-116 (Rodovia Presidente Dutra). Além disso, nessa época era possível encontrar com facilidade amplos terrenos a preço baixo e mão-de-obra barata. Nova Iguaçu passou então a contar com um significativo parque industrial e uma grande atividade comercial.

 
Emancipações

Nova Iguaçu já foi muito maior do que é hoje. Porém, diversas emancipações de distritos que queriam independência administrativa marcaram a história do município. O primeiro desmembramento ocorreu em 31 de dezembro de 1943, quando foi ratificada pela Câmara dos Vereadores a emancipação de Duque de Caxias. São João de Meriti também integrava esse novo município. Em 1947 foi a vez de Nilópolis se emancipar, no mesmo ano em que São João se separou de Caxias. Contudo, as emancipações que mais marcaram a economia de Nova Iguaçu foram as ocorridas no início dos anos 90.

Antes de iniciar seu ciclo de industrialização, Nova Iguaçu era uma cidade-dormitório, designação dada aos municípios cuja maior parte da população trabalha em outra cidade (no caso, o Rio de Janeiro ). Além disso, praticamente não havia infra-estrutura urbana, já que a cidade acabara de sair de um período dedicado apenas à citricultura.

Mesmo com as emancipações dos anos 40, Nova Iguaçu tornou-se ao longo dos anos uma das principais cidades do estado, tanto em população quanto em geração de renda. Em 1989 , a cidade chegou a ter 1.700.000 habitantes, sendo a sexta mais populosa do Brasil na época. Mas essa realidade foi abalada após as emancipações de importantes distritos.

Em 1990, houve a emancipação de Belford Roxo (segundo menor distrito, porém um dos mais populosos), seguido por Queimados (no qual estava localizado o Pólo Industrial de Nova Iguaçu que, logicamente, passou a ser administrado pelo novo município). No ano seguinte, foi a vez de Japeri. Em 1999, Mesquita, distrito de apenas 36 km², também se emancipou, tendo sua primeira eleição para prefeito no pleito municipal de 2000 .

As emancipações trouxeram um “baque” econômico para o município de Nova Iguaçu, que teve população e, conseqüentemente, arrecadação reduzidas, apesar de ter mantido praticamente o mesmo volume de gastos públicos.

 
Prefeitura

A Prefeitura foi criada em 26 de novembro de 1919, através do Decreto nº 1716. Com isso, a Câmara de Vereadores passaria a cuidar apenas das funções legislativas (até então, também era responsável pelo Executivo).

O então presidente (governador) do estado do Rio de Janeiro, Raul de Morais Veiga, nomeou Mário Pinotti como prefeito de Nova Iguaçu, contudo os vereadores consideraram a criação da Prefeitura um desrespeito à autonomia municipal.

O presidente da Câmara de Vereadores, Ernesto França Soares, entrou na justiça e, através de um habeas corpus, assumiu o cargo de prefeito em 26 de maio de 1920.

As primeiras eleições para prefeito ocorreram apenas em 9 de julho de 1922, sendo eleito o médico Manoel Francisco Salles Teixeira (tomou posse em 22 de novembro de 1922).

A atual sede da prefeitura foi construída durante o governo de João Ruy de Queiroz Pinheiro, no início da década de 1970.

 
Divisão administrativa
O município de Nova Iguaçu está, administrativamente, dividido em cinco Setores de Planejamento Integrado (SPIs), cada um deles, por sua vez, divididos em Unidades Regionais de Governo (URGs), sendo estes últimos, subdivididos em bairros.

As URGs foram criadas para oferecer os serviços ordinários à população, descentralizando, assim, alguns serviços rotineiros realizados apenas no Centro da cidade.

Os bairros, por sua vez, são oficialmente as menores unidades administrativas da cidade, porém cada bairro conta com diversos sub-bairros, vilas, lugarejos e povoados, o que pode levar a uma nova organização política dentro de poucos anos. A atual relação de bairros de Nova Iguaçu foi definida pela Leis 2.965, de 17 de dezembro de 1998, e pelo Decreto 6.083, de 12 de janeiro de 1999.

A divisão política oficial da cidade leva em conta tanto características histórico-culturais dos diferentes bairros de Nova Iguaçu como fatores de ordem prática ou natural (como a divisão de duas URGs em uma avenida importante ou um rio, por exemplo).

A zona de preservação ambiental da Reserva Biológica do Tinguá e a Área de Proteção Ambiental (APA) do Gericinó-Mendanha (Parque Municipal de Nova Iguaçu), são áreas não-abairráveis.

 
Rodoviário
Nova Iguaçu conta com uma vasta malha viária, sendo cortada por importantes rodovias e estradas.

Rodovias federais:
  • BR-116 , Rodovia Presidente Dutra . Em território iguaçuano, possui 15 km de extensão e corta o município de leste a oeste, margeando dezesseis bairros.
  • BR-465, a Antiga Estrada Rio-São Paulo. Rota para São Paulo até a década de 1950 , com a construção da Rodovia Presidente Dutra, a BR-465 é uma estrada de ligação entre a Dutra e a Avenida Brasil. Corta Nova Iguaçu na porção sudoeste com 6 km de extensão, passando por 4 bairros.
Rodovias estaduais:
  • Via Light, Via de extrema importância para a cidade, por cortar o Centro e ligá-lo à Linha Vermelha, tem 4 km em território iguaçuano e corta o Centro e mais 3 bairros.
  • RJ-085, a Estrada Rio d'Ouro. Situada no extremo leste do município, serve por 1,5 km como fronteira entre Nova Iguaçu e Duque de Caxias, no bairro de Geneciano .
  • RJ-105 (trecho sul), Avenida Abílio Augusto Távora, popularmente conhecida como Estrada de Madureira . Possui 22 km, corta a cidade do Centro ao sudoeste, dá acesso a Zona Oeste e à Costa Verde e passa por 14 bairros.
  • RJ-105 (trecho norte), Estrada Dr. Plínio Casado. Liga Nova Iguaçu a Belford Roxo, passando por 5 bairros e 3 km.
  • RJ-111, Estrada Zumbi dos Palmares. Liga a região central do município à Reserva Biológica de Tinguá . Possui 16 km e passa por quatro bairros.
  • RJ-113, a Estrada de Adrianópolis. Liga a região central do município ao longínquo bairro de Jaceruba, no noroeste. Possui 22 km de extensão e passa por 4 bairros.
  • RJ-115, a antiga Estrada Real do Commercio. Oficialmente, liga Miguel Pereira à BR-040, passando por Tinguá e Xerém , mas na prática a pist
    a é em leito natural e sua medição é muito complicada devido ao trecho dentro da Reserva Biológica do Tinguá.
  • RJ-119 a Estrada Jaceruba-Japeri. Como o nome sugere, faz a ligação intermunicipal do distante noroeste iguaçuano ao município vizinho de Japeri. Tem 10 km de extensão do centro de Jaceruba até a fronteira com o município supracitado.